Nicolas Fávaro

Se só o dono sabe explicar a empresa, existe um problema de escala

Quando marketing, comercial e equipe dependem do fundador para explicar a empresa, parte do crescimento continua presa na cabeça de uma pessoa.

Em muitas empresas, o fundador ainda é a pessoa que melhor explica o negócio.

Ele conhece os clientes, os serviços, os argumentos que funcionam nas vendas e as diferenças em relação ao mercado. Isso é natural no início.

O problema aparece quando a empresa cresce e esse conhecimento continua concentrado nele.

Marketing depende da validação do fundador para comunicar. O comercial chama o fundador para reuniões mais importantes. Novas pessoas demoram para entender como apresentar a empresa. E decisões simples continuam voltando para quem criou o negócio.

Nesse ponto, a dependência começa a limitar a escala.

O conhecimento ficou preso na cabeça do fundador

Boa parte desse problema acontece porque informações importantes nunca foram organizadas.

O fundador sabe, por experiência, quais clientes têm mais aderência, quais serviços fazem sentido em cada situação, quais objeções aparecem e quais diferenças realmente importam.

Mas esse conhecimento pode estar espalhado entre reuniões, apresentações, materiais antigos e decisões tomadas ao longo dos anos.

Quando outras pessoas precisam vender ou comunicar, cada uma interpreta esse repertório à sua maneira.

O resultado aparece em situações como:

  • cada pessoa explica a empresa de um jeito;
  • o comercial depende de pessoas mais experientes;
  • marketing precisa confirmar tudo antes de publicar;
  • novas contratações demoram para ganhar autonomia;
  • o fundador continua participando de reuniões que poderiam acontecer sem ele.

Isso aumenta a dependência operacional

Se a empresa depende do fundador para explicar valor, corrigir discurso e conduzir vendas importantes, ela tem mais dificuldade para distribuir responsabilidade.

Quanto mais a operação cresce, mais tempo do fundador continua sendo consumido em aprovações, reuniões e ajustes de comunicação.

Em vez de o crescimento reduzir dependência, ele aumenta a quantidade de situações em que a presença do fundador é necessária.

Onde entra a estratégia de marca

A estratégia de marca ajuda a transformar conhecimento informal em critérios compartilhados.

O processo organiza:

  • quem a empresa quer atrair;
  • quais problemas resolve melhor;
  • como os serviços devem ser apresentados;
  • quais diferenças importam;
  • quais argumentos marketing e comercial devem usar;
  • como a empresa quer ser percebida.

Essas definições passam a servir como referência para liderança, marketing, comercial e fornecedores.

O objetivo não é tirar o fundador da comunicação.

É fazer com que a empresa consiga usar o conhecimento dele sem depender da presença dele em toda decisão.

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